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História da Milena Milena é minha terceira filha, veio de uma gravidez planejada no contexto de um casamento muito feliz e nossa expectativa era de que tudo correria dentro da normalidade. Mas não foi bem assim. Minha filha me chamava a atenção por ser muito quieta. Nos primeiros dias ela já dormia praticamente a noite toda e raramente chorava, mas acreditávamos que era apenas uma criança boazinha. Eu estranhava o fato de ela não olhar, não fixar a atenção e com o tempo, a sensação de que algo estava errado foi aumentando. Quando ela completou seis meses eu já sabia que ela era estrábica, veio a esperança que a desatenção fosse fruto do problema de vista, mas não era e aos oito meses a pediatra perguntou se eu notara algo diferente em minha filha, confesso que fiquei até aliviada, alguém mais havia percebido algo diferente em meu bebê. Apesar de minha filha não apresentar um quadro claro, havia muitos sinais de autismo dentre os quais ausências, estereotipias, auto-agressão, mas principalmente o olhar que teimava em não se fixar nem em rostos e nem mesmo nos brinquedos mais coloridos. Foi graças à sensatez e a competência da nossa pediatra Dra. Nádia que começamos nossa luta precocemente: visitas à neurologista, vários exames (todos com resultados normais) fisioterapia para o atraso motor, orientação de terapia ocupacional e terapia com um psicólogo todos estes profissionais nos ajudaram muito. Hoje Milena tem três anos, o diagnóstico ainda não é preciso: Transtorno Invasivo do Desenvolvimento com sinais de autismo. Ela ainda faz as terapias com destaque para a fono e o importante trabalho de socialização é feito na escola. Ela ainda tem um atraso, mas interage, não fala frases mas fala palavras e se faz entender muito bem, e a cada dia nos surpreende com gracinhas e novos aprendizados. Milena é uma menina linda e carinhosa, que me ensinou a ver a vida de outra forma. Com seu ritmo próprio de desenvolvimento ela me mostrou que a normalidade é um conceito muito relativo, e me desafiou a combater a desinformação e ir à luta. Ainda vivemos um misto de emoções: felicidade por superarmos prognósticos pessimistas, determinação em continuarmos a realizar quaisquer esforços para ajudá-la, paciência para atendê-la em suas tão diversas necessidades e expectativa quanto a seu futuro, principalmente o acadêmico. Mas temos certeza que vamos seguir em frente. Esperamos que outros pais, que porventura vivenciem situações como esta, se sintam fortes para mover montanhas e lutar por seus filhos, pois com toda a certeza as montanhas serão movidas e valerá a pena. Contato: fausta.cris@uol.com.br> |
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Festa Junina
O ser humano é fantástico! Não bastasse a máquina maravilhosa de que dispomos (o corpo humano) ainda temos mente e coração que nos trazem singularidades como marcas exclusivas. Somos únicos no universo! Olhamos uma multidão em Pequim ou um mega estádio preenchido por um “mar”de gente e nos espantamos em constatar: ninguém aqui é igual.
Ainda que estejamos em um mesmo ambiente, com atitudes que obedeçam ao senso comum, somos ainda assim, únicos. Se refletirmos sobre isso veremos que é maravilhoso que assim seja. Não se compara uma peça saída de uma linha de produção, padronizada, igual a muitas, com uma peça única nascida do talento de um artesão.
Mesmo pensando assim, mesmo tendo a sensibilidade para enxergar as diferenças, como algo natural e positivo, sempre me pego esperando pela “normalização” da minha filha, mas confesso que me ajusto internamente a tempo de valorizar as grandes conquistas com que a seu jeito ela nos presenteia.
A festa junina da escola foi linda. Organizada, com alegria de todos estampada no rosto. A escola que até então não tem tradição inclusiva, pode dar aula sobre o assunto, pois Milena é apenas mais uma aluna, tratada com o carinho e o respeito com que tratam a todos. Aquele natural protecionismo que eu já vi acontecer, nesta escola não existe, ainda bem pra Milena, ponto pra escola.
Minha princesa estava linda, claro, alegre e com a expectativa em alta a semana toda, mas ficou assustada com o barulho, com a grande agitação do local. Ficou perguntando por sua acompanhante Gabriela e enquanto ela não chegou Milena não conseguiu olhar de verdade para nada. Depois disso ela aproveitou melhor a festa e na hora da dança, participou ainda que assustada, mãozinha fechada e passinhos tímidos, mas era evidente que sabia a coreografia.
Quando terminou a apresentação me peguei pensando que no ano que vem será melhor. Mas logo a sensatez falou mais alto e agradeci a Deus pela bênção de ter Milena tão bem e tão feliz! Ela não precisa “melhorar” nada. Precisa sim ser feliz, como estava na festa, do seu jeito, tão especial, tão linda.
Deixo pra vocês conferirem. Beijos a todos.